Calculadora de financiamento (SAC ou PRICE)
No sistema PRICE, a parcela é fixa do início ao fim; no SAC, a parcela começa mais alta e vai diminuindo mês a mês, porque a amortização (a parte que reduz a dívida) é sempre igual, enquanto os juros — calculados sobre o saldo devedor — vão caindo. Exemplo: um financiamento de R$ 300.000 em 360 meses a 0,8% ao mês custa, no total, mais no PRICE do que no SAC, porque no PRICE você amortiza mais devagar no começo e paga juros sobre um saldo devedor maior por mais tempo. Escolha o sistema, o valor, a taxa e o prazo na calculadora abaixo pra comparar.
Como funciona
SAC (Sistema de Amortização Constante) e PRICE (Tabela Price, também chamada de sistema francês) são as duas formas mais comuns de financiar um imóvel ou veículo no Brasil, e a diferença entre elas está em como a amortização e os juros são distribuídos ao longo do tempo.
No SAC, a amortização — a parte da parcela que efetivamente reduz o saldo devedor — é sempre a mesma, calculada como valor financiado dividido pelo número de parcelas. Os juros, por sua vez, incidem sobre o saldo devedor, que vai diminuindo a cada mês; como o saldo cai, os juros caem, e a parcela total (amortização + juros) também cai mês a mês. Isso faz a primeira parcela do SAC ser mais alta que a primeira do PRICE, mas as últimas parcelas do SAC ficam bem mais baratas.
No PRICE, o valor da parcela é fixo do primeiro ao último mês, mas a composição interna dela muda: no começo, a maior parte da parcela é juros e uma fração pequena é amortização; com o tempo, essa proporção se inverte. Como o saldo devedor demora mais para cair de forma significativa, o total de juros pagos ao longo do contrato costuma ser maior no PRICE do que no SAC, para o mesmo valor, taxa e prazo.
A escolha entre os dois costuma depender da capacidade de pagamento no início do contrato. Quem tem orçamento apertado hoje mas espera renda crescente (early career, por exemplo) pode preferir o PRICE, porque a parcela inicial é mais baixa. Quem consegue pagar uma parcela inicial mais alta se beneficia do SAC, porque paga menos juros no total e vê a parcela cair ano após ano — o que também ajuda caso a renda futura seja incerta.
Um erro comum é comparar apenas o valor da primeira parcela entre os dois sistemas e concluir que o mais barato no início é o melhor negócio. O critério mais importante para decidir é o total pago ao final do contrato (soma de todas as parcelas), que praticamente sempre é menor no SAC — a diferença cresce quanto maior o prazo e maior a taxa de juros.
Vale lembrar que, na prática, alguns contratos de financiamento imobiliário aplicam correção monetária (TR ou outro índice) sobre o saldo devedor, o que altera o valor real das parcelas ao longo do tempo de um jeito que essa calculadora, focada só em juros e amortização, não reproduz. Para uma simulação com correção monetária embutida, é preciso consultar diretamente o banco financiador, já que o índice de correção varia mês a mês e não é conhecido com antecedência.
Outro ponto de atenção é a Cesta CET (Custo Efetivo Total), que os bancos são obrigados a informar e que inclui, além dos juros, seguros obrigatórios e tarifas administrativas. O CET é sempre maior que a taxa de juros nominal anunciada — é ele, não a taxa "pura", que deve ser usado para comparar propostas de bancos diferentes.
Perguntas frequentes
- SAC ou PRICE: qual é mais barato no total?
- Para o mesmo valor, taxa e prazo, o SAC quase sempre resulta em menos juros pagos no total, porque a amortização constante reduz o saldo devedor mais rápido no início do contrato.
- Por que a primeira parcela do SAC é mais alta?
- Porque no SAC a amortização é fixa desde o primeiro mês, enquanto no PRICE ela começa pequena e cresce aos poucos — o PRICE 'empurra' amortização pro final do contrato, o que reduz a parcela inicial mas aumenta o total de juros.
- Essa calculadora considera a correção monetária (TR) do financiamento imobiliário?
- Não. O cálculo aqui é só juros e amortização sobre o valor nominal. Financiamentos imobiliários reais aplicam índices de correção sobre o saldo devedor, que alteram o valor efetivo das parcelas — consulte o banco para a simulação com correção.
- O que é CET e por que ele importa mais que a taxa de juros anunciada?
- CET (Custo Efetivo Total) inclui, além dos juros, seguros obrigatórios e tarifas administrativas. É sempre maior que a taxa nominal e é o número correto para comparar propostas de bancos diferentes.
- Vale a pena amortizar o financiamento antecipadamente?
- Geralmente sim, principalmente no PRICE, já que o saldo devedor demora mais a cair — amortizar cedo reduz uma base de cálculo de juros maior por mais tempo, gerando mais economia do que amortizar no fim do contrato.
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